Ameaça virtual

Descubra o que é o cyberbullying, como pais e educadores podem identificar se a criança ou adolescente é vitima de agressão na rede e como agir

O cyberbullying – tipo de violência on-line – pode ser tão ou mais destrutivo e cruel que uma agressão física . Foto: Marcelo Feitosa

Estarmos ligados em rede trouxe tanto benefícios quanto malefícios. Da parte ruim, a gente acaba se dando conta apenas quando algo acontece conosco ou com alguém próximo. Por isso, o exercício de empatia, para além da nossa bolha de convivência, é importantíssimo. O cyberbullying – tipo de violência on-line – pode ser tão ou mais destrutivo e cruel que uma agressão física. Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos (empresa de pesquisa e de inteligência de mercado, fundada na França e presente em 87 países), que ouviu 20.793 entrevistados, um em cada três pais afirmam saber de uma criança em sua comunidade que tenha sido vítima de cyberbullying. O estudo, realizado em 28 países no período de março a abril de 2018, foi registrado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP).


A estudante Milena Carvalho (cujo nome é fictício para que sua identidade seja preservada), de 14 anos, passou por uma situação como essa no início deste ano, quando começou a ser ofendida com xingamentos racistas em sua conta no Twitter. A jovem começou a se politizar e, desde então, passou a postar mais o que pensava. Foi em um desses posts que os ataques começaram. 

“Quando eu falava sobre ‘privilégio branco’, comentavam me ofendendo muito, pela minha pele, meu cabelo, falando que não existe isso de privilégio. O ataque mais pesado foi quando postei uma foto minha e, atrás, havia uma parede branca. Um garoto compartilhou e postou: ‘Quando suas paredes têm que ser pintadas de branco para você aparecer na foto’. Isso foi a gota d’água, que me levou a desativar minha conta. Os ataques da internet só me deixaram com medo quando foram feitos por pessoas que moram perto da minha casa”, revela. 


De acordo com o psicólogo David Osmo, o cyberbullying é o bullying cometido no ambiente virtual; que pode ser nas redes sociais por troca de mensagens ou através de outros canais digitais de comunicação. 


O psicólogo David Osmo explica que o cyberbullying é comportamento de ameaça, de violência psicológica e tortura verbal feito de forma repetida a uma determinada pessoa . Foto: Divulgação

“É o comportamento de ameaça, de violência psicológica e tortura verbal feito de forma repetida a uma determinada pessoa. Apesar de não haver atos de violência em si – que podem ocorrer no caso do bullying –, o cyberbullying pode ter consequências muito graves. Situações em que há vazamento proposital de informações íntimas e pessoais, por exemplo, podem gerar um grande risco às vítimas”, comenta.

A psicóloga clínica e neuropsicóloga, responsável técnica da clínica Renascer Psicologia Avançada, Renata Lívia Santos Gonzaga orienta os pais a verificarem sites e cadastros nos quais os dados dos filhos estejam expostos. 

“É necessário orientar e ensinar os filhos, crianças ou adolescentes, para o uso racional das tecnologias, alertando para o comportamento de risco como a partilha de informações pessoais, fotos, vídeos, etc. Aceitação de ‘amigos’ on-line que desconhecem na vida real. Ou então também que informem ao adulto mais próximo qualquer tipo de abuso ou constrangimento que estejam vivenciando. Os pais também podem ‘fiscalizar’, colocar filtros de segurança nos sites utilizados pelos menores”, ressalta.

De classe média, mãe negra e pai branco, Milena conta que não tem com quem conversar sobre os assuntos – com exceção de uma amiga que pensa como ela –, já que sua mãe é “alienada no que diz respeito a esses temas”, embora sofra com ela, e seu pai é “muito conservador e acha que isso é besteira”. 


“Eu não tomei nenhuma decisão. Meu pai é branco e diz que isso é bobagem. Minha mãe é negra e não entende. Sempre sofri ataques racistas desde pequena, mas eu não ligava. Hoje, vejo de outra forma. Me toquei que tenho que estar preparada porque vai acontecer sempre. Não posso chorar no meu quarto. Me sinto preparada para enfrentar o mundo, mas sozinha. Não me sinto acolhida. Eles começaram a dizer que sou ‘racista reversa’. O pessoal marca passeios e não me chama, por exemplo. As garotas da minha idade nem entendem. Tudo isso foi algo ruim, mas que, de certa forma, me ajudou, me deixou mais forte e me preparou para o que vem por aí”, afirma Milena.

A possibilidade do anonimato faz com que muitos agressores usem o ambiente digital para praticar ofensas. Para David, muitos casos de cyberbullying chegam ao extremo porque a vítima se vê sem saída. Ela entende que o dano causado pelo assédio virtual e difamação são irreversíveis à sua imagem. Não é por menos, já que, em poucos minutos, uma foto ou informação divulgada pode alcançar milhares de pessoas. 

“Isso se torna ainda mais delicado se a vítima for uma criança ou adolescente. Muitos sentem vergonha de contar para os pais e acabam não tendo maturidade para lidar com as consequências daquela depreciação. Estar presente na vida dos filhos, compartilhar com eles experiências e conversar sobre a importância do respeito ao próximo são práticas essenciais na relação familiar, independentemente da idade das crianças. Expressar o amor em família é primordial. É metade do caminho para ajudar os filhos a terem segurança, respeito e autoestima. E um adolescente bem-resolvido é menos propenso tanto a cometer o cyberbullying, quanto a ser vítima dele”, orienta.


Os profissionais são categóricos em dizer que, no caso de cyberbullying cujos envolvidos sejam estudantes do mesmo colégio, a comunidade escolar deve acionar imediatamente os pais dos alunos envolvidos para, juntos, buscarem as melhores soluções. Promover acompanhamento psicológico é fundamental e grande parte das escolas de Niterói dispõem desse atendimento. Paralelamente, devem ser reforçadas as campanhas educativas contra o cyberbullying, que podem incluir debates e rodas de discussão sobre o tema. Além de conscientizar as crianças e adolescentes, é importante, de acordo com David, manter o foco na prevenção de novos casos.

“As intervenções profissionais devem ser realizadas o quanto antes, a fim de que o equilíbrio e a saúde mental sejam preservados. Cada jovem tem uma história única, por isso é necessário ajuda especializada. A família e a escola são fundamentais nesse processo também”, alerta Renata. 

Recentes debates das classes médica e de saúde mental apontam consequências mais graves de cyberbullying relacionadas à adolescência, fase da vida em que acontece a transição entre a infância e a juventude, quando há mudanças físicas, sociais e psicológicas. 

“É quando começam os questionamentos, os conflitos externos e a necessidade da autonomia, tudo com as emoções à flor da pele. Os pais devem ser assertivos em seus diálogos e orientações. Devem reforçar a importância de não compartilhar nada que possa denegrir o outro; de evitar dividir número de telefone e perfis das redes sociais com pessoas desconhecidas; e orientar para que não participem de atos que possam intimidar outras pessoas. Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos. Devem conversar abertamente, de forma clara e direta. Expressar o amor em família é primordial”, pondera o psicólogo David.

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) mais próxima fica no Jacarezinho, no Rio. No último dia 24, um decreto publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e assinado pelo general Walter Braga Netto, interventor federal no sistema de segurança, criou a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) na estrutura da Polícia Civil. A Lei 5.931/11 é de autoria do deputado Átila Nunes. O decreto estabelece que as normas para a organização e operacionalização da Decradi serão definidas pela Secretaria de Segurança. 

O Fluminense . Ana Paula Soares em 02/09/2018 07:00

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